quarta-feira, 3 de junho de 2015

Amor perfeito

Woman with book - Pablo Picasso 


Ele, machão declarado ao vento, e valentão das esquinas vazias, estufava o peito e falava sem cerimônia àquilo que todos queriam ouvir à mesa do bar. Era garanhão das calçadas, romântico das rosas alheias, ladrão de olhares perdidos.
Tinha sempre, à ponta da língua, o afago mais belo a quem fosse. Todos os dias, também, fazia questão de abrir a porta do escritório às colegas de trabalho, e dizia um elogio distinto a cada.
Todas o tinham como o maior cavalheiro que já se teve notícias por lá.
- Era perfeito, gritou uma colega lá do fundão.
Ele, porém, cultivava em casa um lindo e belo amor ausente com a esposa. Não a afagava, quando do choro. Não a elogiava, quando da dúvida. Não abriu a porta para ela, quando da despedida.
- Era fachada, sussurrou a esposa ao abandoná-lo.


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