quarta-feira, 17 de junho de 2015

Bodas de papel

Galatea of the Spheres - Salvador Dalí

Reserva para dois. Bodas de papel – falou ao telefone.
Os dois chegaram pontualmente no horário combinado. Bem arrumados e elegantes. Não havia lugar melhor para comemorar, pensava ela, afinal, tivera sido em um restaurante (um bar, meia boca, na verdade) que haviam se conhecido.
Até que enfim vamos ficar a sós, falou baixinho para o amado.
O garçom, gentilmente, acomodou os dois e entregou os menus. Escolheram sem pressa e aguardaram os pedidos enquanto colocavam a conversa em dia.
Até que enfim vamos ficar a sós, repetiu baixinho, com mais alegria ainda, para o amado.
Ela tentou colocar a conversa em dia e começou falando do trabalho, das amigas, daquele relacionamento e tentou até se cansar, mas nenhuma resposta, ao menos dissílaba, saiu da boca do seu companheiro, que incansavelmente procurava por algo. Nas paredes, nas colunas, no menu.

Foi quando ele encontrou o que tanto buscava que ela convidou o silêncio para sentar em seu lugar e saiu. Wi-fi grátis. Nem sequer deu tempo de ele fazer o check in.

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