terça-feira, 30 de junho de 2015

Crônica de um homem que não sabia dançar (ou o balé da libertação de pensamentos perdidos)

Michael Cheval

Antes de mais, sim, homem dança. Antes de tudo, não. Não é um bicho de sete cabeças (na verdade não é sequer um bicho).  
Reza a tradição popular que há duas explicações lógicas para o homem que não sabe dançar (poderia ser a mulher também). Primeira: vergonha de errar, de se expor, de parecer ridículo. Segunda: Engoliu um cabo de vassoura.
Admito que, indo em contradição à famigerada música, o primeiro passo não é fácil (leia-se ter a atitude de começar). Há, ainda hoje, infelizmente, muitas pessoas que pensam que a dança não é uma atividade masculina, pobres almas, e isso reflete muito na opinião alheia (as antigas e velhas conhecidas amizades). E há àquelas que veem essa arte como um bicho de sete cabeças.
Aos primeiros deixo meu silêncio (que já é muito). Aos segundos, digo: não existe bicho nenhum na dança, independente do ritmo escolhido. Como disse um professor certa vez, se você sabe caminhar, saberá dançar, e isso é uma verdade incontestável.
Outra verdade é que o principal sinônimo da palavra dança é autoestima. Não existe restrições quanto à idade, peso ou altura. O casal perfeito não é o mais bonito, tampouco o mais esbelto. Sim o que flutua.
 Há também, algumas verdades ocultas, ou que demoramos a percebê-las. É a verdade dos olhos alheios. Acredite, ninguém está olhando para você ou julgando se os seus movimentos estão certos ou errados, mas não adianta dizer, você só admitirá isso depois de certa prática, quando já estiver elaborando passos complexos e ninguém como plateia.
A dança é, acima de tudo, uma atividade de disciplina, de cavalheirismo, de bons modos, de elegância. É uma metáfora da vida e do relacionamento a dois. Há que saber confiar no outro e onde e como pisar.
E por último, dançar é saber utilizar a primeira ação da harmonia, escutar. Não há dança sem música, isso parece ser bastante claro, mas não se engane, saber executar passos aleatórios não é dança, se esta não vier acompanhada da harmonia da canção. 
Entrei nesse mundo mágico-real há alguns meses, (sim, cuspi o cabo de vassoura e a vergonha de errar) e todo dia após mais uma aula ou baile, uma pergunta vem à mente. Por que diabos não comecei mais cedo? Nunca me conformo.  

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