terça-feira, 21 de julho de 2015

O maldito ciclo do coração


Havia decidido passear pela orla, em uma última tentativa de esquecer mais uma frustração de um relacionamento fracassado. Nunca mais me apaixono, nunca mais, gritava em pensamentos. Não sei se houve um culpado, mas me agarrei na prerrogativa de que aquilo era um ciclo e como tal havia se renovado.
Sentei no primeiro banco que vi, comprei um sorvete e comecei apreciar o mar, as pessoas; a escutar as conversas, a me distrair. Até que a paz que havia levado horas para conseguir foi carregada pelo vento.
Um homem, a quem julguei louco, a princípio, estava agitado e parecia buscar alguém na multidão.
Senti-me incomodado no começo, mas depois, foi só inveja, admito. E, em pouco tempo, aquela inveja deu lugar à inspiração.
Coloquei na cabeça que se ele conseguiu daquela forma, tão facilmente, eu também poderia. Larguei o sorvete e a promessa e saí correndo para o outro lado da rua para fazer o mesmo que ele. Fiz. Seria o fim da minha tristeza, pensei.
Para a primeira que passou, ele se pôs à frente e perguntou: “Você quer um amor verdadeiro para a vida inteira?”. Ela, emocionada, aceitou e os dois saíram de mãos dadas.
 Só depois que descobri que ali eram atores em pleno exercício da profissão. Já era tarde. O ciclo continuou da mesma forma, porém, agora, eu estava sem o sorvete e com uma nova promessa na cabeça.  

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