sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O retrato quase perfeito da vida cotidiana

Obra Batucada, de Carybé.
Ah, o carnaval! Quantos gritaram aos sete ventos e em muitas ladeiras que iriam aproveitar ao máximo aqueles dias antes de voltar à vida “normal”? Quantos falaram baixinho que não poderiam perder tempo? Quantos não se deram conta de que com ou sem carnaval continuamos mortais?
O carnaval, como tantos outros dias festivos no nosso calendário, é o retrato quase perfeito da nossa vida cotidiana. Vivemos esses dias sabendo a data exata que acabará, por isso, quase sempre são vividos intensamente. São nesses dias que temos mais coragem de ir além, porque perder tempo não é opção.
São nesses dias que a vida é mais alegre, porque a tristeza não tem vez. São nesses dias que acordamos pensando em fazer algo diferente do dia anterior, usar uma outra fantasia, ser o que sonhou, porque tudo dura pouco, tudo é efêmero.
São nesses dias que nos esquecemos de que todos os outros dias da nossa vida são como no carnaval, com a sutil diferença de que não sabemos quando irão acabar. Será que teremos tempo de esperar mais um ano para vivermos intensamente cada dia com o sentimento de que tudo irá acabar rapidamente?
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