sexta-feira, 11 de março de 2016

A felicidade mora logo ali

Rose meditative - Salvador Dalí


Ele, que de longe mais parecia um artista de cinema, totalmente dentro daquele quadrado do padrão de beleza, passeava no seu carro, que há pouco estampara a revista conceito de automobilismo, pela cidade. Vestia o mais fino terno que encontrou na loja de nome impronunciável e exalava o mais suave perfume da boutique que nem sequer sabia que existia. Ao lado, a mais bela jovem que jamais havia visto na vida. Tudo que podia comprar, comprou.
Uma luminária de cristal que nunca acendia, talheres de ouro que não usava, cachorros que nunca cuidava, animais silvestres por suas cores bonitas.
Um dia, depois de mais um passeio como o de sempre, percebeu que algo estava faltando. Procurou por todas as partes; dentro da piscina em forma de diamante, embaixo dos muitos carros, dentro de todas as casas que tinha. Não encontrou.
Descobriu depois, olhando para o jardim, que o jardineiro havia encontrado aquilo que tanto tirava o seu sono, e nem sequer havia gasto um só centavo. Era lindo de se ver aquele homem exalando tanta felicidade com o perfume de uma rosa. Correu de encontro à mesma rosa e tentou por várias vezes sentir o mesmo. Em vão. Com raiva, despedaçou toda a flor e gritou impropérios ao vento.
­– Para ser feliz - disse o jardineiro - não precisamos de muito. Estar disposto a isso já é um grande começo.

O silêncio veio em seguida. 


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