quinta-feira, 14 de julho de 2016

A vida é uma música sem fim

Everett Collection



Quando ouvimos a música pela primeira vez, o estranhamento sobe à superfície e a pergunta clássica ressoa pelas paredes, por que me tiraram o silêncio aconchegante? Tudo é novo, tudo é estranho, mas aos poucos nos acostumamos com o diferente, e até que, às vezes, gostamos do ritmo, das vozes, do balanço.
Não demora muito, e o pé direito começa a se chocar contra o solo em ritmo contínuo, tentamos de todas as formas acompanhar aquele som. Ficamos de pé, para tentar aproveitar da melhor forma possível. Muitas vezes caímos, é certo. A queda, aprendemos, muitas muitas vezes e somente alguns, que faz parte. A queda, ainda sim, é um passo.
Tentamos de um jeito, de outro e aos poucos podemos dizer que dançamos ao ritmo da música que toca. Ou pelo menos tentamos, o importante, em muitos casos, é continuar tentando, um dia acertamos o ritmo e pronto, a dança será plena.
Não demora muito e percebemos que dançar sozinho é menos feliz que acompanhado. Começamos a compartilhar abraços e percebemos que mais difícil que encontrar o par perfeito para a dança é acompanhar o ritmo do outro. Muitos conseguem, muitos desistem, muitos não cansam em procurar.
Os que estão de fora (não são todos) veem defeitos nos passos de quem dança, os que estão dançando (não são todos) veem defeitos naqueles que estão sentados, os que não escutam a música (sim, são todos) não conseguem ver muita coisa, além do próprio reflexo.
Mesmo quando não conseguimos ficar de pé, a música continua. Continua viva, no ritmo certo, e dançamos com os olhos, com a boca, com a mente.
Os que não escutam a música e não sentem o ritmo, não admiram a dança, não aproveitam o abraço, não abrem aquele sorriso com a síncope, sequer conseguem ficar de pé por muito tempo.

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