sexta-feira, 1 de julho de 2016

O real sentido da vida

Foto de Bruno Mota Pinheiro.


Estava ontem a pensar sobre o real sentido da vida e o desespero se abateu sobre minhas asas. Tanto céu, tantas nuvens, tanto vento e eu aqui perdido, não no espaço, mas nos pensamentos. Sei muito bem onde estou, por isso essa minha agonia.
Todos os dias sempre buscava as migalhas do 43, todos os dias. O céu para mim estava sob o céu, abaixo daquela janela. Ela sabia que eu iria naque­le horário e observava-me com timidez, com vergo­nha, com inveja. Sim, assim como eu, ela também buscava um sentido, buscava encontrar-se em pen­samentos, pensava que a vida era um sonho.
A vida talvez seja um sonho, quem sabe? O problema é que ela tentou despertar. Do alto do prédio, observou o horizonte, como quem diz oi ou adeus, bateu asas, mas não voou.

Hoje, sinto uma dor imensurável, não sei se pela falta das migalhas de cada dia, ou por ter asas e não voar.


* Conto retirado do livro Não se pode mais mar em paz hoje, e inspirado na foto da postagem.
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