quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Fogo brando

Arte de Valentina Photos

Premiado no Prêmio Maximiano Campos de Literatura – Categoria: melhor miniconto.

Foi exatamente, coincidência ou não, quando as trevas me cegaram que pude enxergá-la. Observava-me com olhos de fogo brando, em silêncio de incêndio recém-acabado. Não pronunciou-me nenhuma faísca, ou fogo de festa em noite fria, apenas queimava-me com olhares de soslaio. Deixei-me ser marcado.
Aos poucos, todo o meu corpo ia sendo consumido, ou o que havia restado dele depois das trevas impiedosas, meu sangue borbulhava novamente, assim como quando havia caído. Não era uma ressurreição ou uma volta aos céus, eu continuava a descer, entretanto, dessa vez era diferente.
Senti medo, é certo, quem não sentiria? Era fogo nunca visto antes, era incêndio em mata seca.
Quando cheguei ao último degrau, acompanhado do medo e da dúvida, a vi recuando, a chama sem trégua, o fogo sem medo, o incêndio sem precedentes. Talvez eu fosse água.

* Conto retirado do livro Não se pode mais mar em paz hoje.
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